quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Esboço de um manifesto - O Banquete Barangandão
Não convém definirmo-nos, pois não estamos terminados, acabados – não estamos.
Visto isso: certo é que nos movimentamos, simplesmente acontecendo.
E ao acontecer, parte inconsciente, é que começamos – digo começamos pela lenta aquisição desse processo – a entender qual é a nossa função; e de que forma ele se faria presente, fisicamente num cenário artístico-cultural de Niterói – e porque não, do estado, do país, do mundo.
Convém-nos a chegada dessa nova estação, de um novo pensamento, uma nova abordagem; atrelados a necessidade que o novo século implora, nas entrelinhas de uma massificadora cultura midiática, por começar…
Em busca de uma identidade própria, não de outrem; como princípio de uma reciclagem histórica; não o produto de sucatas sociais e culturais, mas o de um organismo que se nutre de experiências, até então pungentes, que lhe proporcionassem amadurecimento e competência para difundir uma consciência recriadora, não somente de um ponto de vista, mas de uma atitude efetiva.
A favor da independência da fome d’arte, podemos ofertar um banquete, no qual a união de potências criadoras possa ser alimentada pela degustação de um intercâmbio de inspirações e ingredientes precisos e atípicos. Provando gostos, gestos, cheiros, formas, texturas, linguagens; a preparar, enfim, um prato de um refogado em fios de significados aromáticos e apreciados pela essência do encontro – ao qual os sabores e dissabores tomam a mesma proporção sinestésica.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
O banquete barangandão
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
OUTROS DEMÔNIOS E O BARANGANDÃO
Naquela noite, visitaram-nos muitas dessas criaturas obscuras que se vê, mas não se sabe de onde vêm, por essas e outras bandas gritando apavorosamente para os infindos ventos, acanhando almas de pouco experimento. Ahahahaha!
E uma sombra antropomorfa rabiscou a lua, que minguante fez o instante Barangandante... E assim que ressoou o som das cornetas flutuantes e das trombetas alucinantes, todo mundo se barangandou.
Segundo a lenda, o roda-gira-girou possui um aroma narcótico e quem se apodera do brinquedo vira borboleta!
Nossos ilustríssimos uni-versados, Victor, Martina e Pablo bateram as asas e as cordas, e vibrantes entoaram as primeiras notas do nosso ritual Barangambeiro.
A primeira evocação foi de João Cabral de Melo Neto por intermédio de irmã Evelyn e sua bíblia cabralina, recitando o poema "Estudos para uma bailadora andaluza"
E para não perder o costume e os novos adeptos da seita Barangansônica, Thati desvendou para o público, mais uma vez, os mistérios das metamorfoses concebidas pelo Barangandão e seu nirvana plasmático e inefável.
Sentados na sala de espera, enquanto observavam o movimento de alguma coisa, pensando em nada, em alguma coisa, ou algum levantamento de copo, Wesley, Irene, Fabio e as coloridas enamoradas enamorantes, na expectativa do circo pegar fogo;

Daya, Thati e Victor sentiam um leve cheiro de fumaça e fagulhas no ar... E o relógio badalava 1hora e 22minutos... Daya, ainda no prumo de suas faculdades mentais, disse: “Eu canto!!!”
E assim o Cult-rock de Daya e Victor salvou as almas do frágil silêncio das horas.
Das profundezas da Cantareira surgiu o Matusalém dos Anjos com seu tabaco inacabado. Para terminar de confeccionar o charuto de Pessoa; Pessôa, o próprio, despontou a Tabacaria.
“Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolate”
COME CHOCOLATE, PEQUENA!...
Wesley levantou a mão para dizer: RAW!
Harmonizando uma poesia de “Ninguéns”.
Para os que acham que a poesia traz monotonia, vejam só os fieis exorcizando seus demônios:
Ás 2hs 22min 43centésimos, como num transe, o garçom foi flagrado observando as fotos de Mathias do Valle. pps:. mas não
conta para ninguém, hein!
O exímio fotógrafo Elfo do prosaico, infeliz
mente, não pôde ficar até o fim de nosso solene Festival Druida, que perdurou até os primeiros cantares adejantes.
Encontrando-se perdidos em meio ao labirinto de Elfos, Faunos e Floras, os remanescentes trovadores barrocos melodiaram e poetizaram os Ninguéns de todo sempre.
Enrolando-se na serpente Barangansfinge, Wesley apontou-nos uma voz em palavras.
Também contávamos com uma exposição de desenhos de Maria Bonita e retratos do contemporâneo de um amigo seu, anônimo.
Nossos incentivos pictóricos da Galeria Delta da Pintura Universal continuaram colorindo e pincelando desenhos
VERDES
Pendura as telas, Martina!
Pincelem ae, queridíssimos Baranganpictores!
Ôôôôô... BELEZA!
Ás 3:60 da madrugada... Renato do Tasca do Renato, hipocorístico Bar TriBos, cumpria seu papel, mais impaciente do que nunca, querendo profanar toda Arte em movimento, se prestando a algum eletrônico-pop anônimo, antônimo e atônito.
No auge da efervescência das Cruzadas Egípcio-pagão-artístico-caótica de São Domingos de Constantinopla, LE SARAU BARANGANDÃO, demonstrou sua primazia bem articulada e fundamentada pelos seus amigos seguidores.
Thati encontrou um Mago Tocador de cordas e descobriu ser outro iluminado pelo Dedilhado Del Diablo, na obscuridade da selva Niterabense, por onde os séculos se perderam em trilhos mal encarrilhados por algum senhorio de uma lactescência imponente e “AMPLA”. Intuitivamente, os dois com o aprendiz de Feiticeiro Victor Hugo, subiram ao palco para resgatar a antiga e fragmentária memória da Dinastia Catacumbae.
Os vitores, vitorianos e vitorinos, Thiago e Gizélida pálida, fantasmagórica e camuflada nas cochias do palco, entraram em cena, ou “quase”, porque o relógio devorador de chorpus não parava de badalar o término das horas.
Logo após a maré ressaqueada de rock n’roll, achegaram-se ao palco, despretensiosamente, para recitar uma poesia de Belém do Pará, Evelyn e Larissa.
Larissa com sua belíssima e entoada voz, sublimou-nos poeticamente “vou voar além do infinito...”. Evelyn com total leveza, destreza, magistreza, desenvoltureza dos movimentos, dramatizava as profundas palavras da poetiza... “como águia de fogo/ sempre a seu lado.”
E os adeptos da Águia de Fogo voaram ao delírio...
Ás 4:07, a fadinha Lívia com seus panos coloridos e encantados... embriagou a todos com sua dança elementar do branco “Desanuviar”, em gestos inspiradores azulados e sensualidade singular vermelha.
Ainda no mundo das fadas, o Mago Tocador dos Druidas voltou com ar sossegado de sua graça, desta vez para tratar de umas senhorinhas crepitadas pelo desejo e acalentadas pelo ato siririquístico do feminino: “As Velhas Virgens”.
Martina decidiu continuar o trabalho do Mago Tocador de cordas, soprando sua flauta mágica... Pablo manteve a tradição Catacumbaequiana do Dedilhado Del Diablo
A Barangantéia transou um transe
Às 4hs 37min 60centésimos. Depois de rir, chorar, se descabelar, refletir, conversar, se emocionar e, é claro, rodar o barangandão!, a poética da vidística continuou. Evelyn com seu amolado facão abriu os caminhos no mato e desbravou as veredas do Sertão... eiiita Cabralina!!!
De um Sertão com vista para mares de concreto, Thati resgatou a história dos “Filhos do Carnaval” solenizada pela violonizada sonoridade das mãos de Pessôa, V.H.
Ueóueóueóueómm!!! Corríamos dos ponteiros do relógio. Eles queriam nos engolir, eles iam comer a gente! Somebody HELP us!
E as cornetas dos angelicais músicos voltaram a ecoar: Guizão nas freqüências mais subterrâneas; Thiagão retumbando acordes etéreos; Victor, um distinto percursionista de bochechas; Pablo harmoniando algumas notas e Paulinha mostrando suas sustenidas cordas de voz.
4hs 59 ½ min. Uma dupla de folk começou a cantarolar, com a indispensável ajuda do Barangandótimo Victor fazendo o intenso trabalho de pedestal.
Oh Céus! Perdemos completamente a noção do tempo, já não era sexta-feira, nem sábado, tampouco domingo. Era um tempo impluralizável. Mas, precisamente na terça-feira, foi encontrado o último dos Barangaetílocos cantando a jardineira no banheiro do bar. Logo após ser encontrado por Kako Barbelos de profissão perigo-repórter, pois, por coincidência ou não, exatamente neste dia, estavam à procura de pessoas desaparecidas. A creatura se debruçou no balcão: “meu primo, desce uma água com bicarbonato”.
Daya Gibeli com sua câmera supersônica de visão infra-vermelha captou o espectro-ectoplasma de Hermenegildo Odilon Stephaneo Buh, foragido da Transilvânia, exilado em Paquetá e procurado, vivo ou morto, pelos Baranguinquisitores.
PORRA HERMENEGÍÍÍLDOOO... VAI PRA PAQUETÁRIUUU!
Sem mais delongas, pararemos por aqui.
Agradecimentos:
Ao relógio, porque não nos devorou; à Dinastia Catacumbae, da estirpe Pessôa Moura & Romualdo Saragoza Coelho de Moraes Dayavishinna Brancesco, que nos cedeu imagens imagéticas, pergaminhos de escrituras, dicionário Romeno-Hindu-Árabe-Egípcio-Latino-Japonês-Druida-Wicca-Kazar/Português, caneta tinteiro, lupas psicodélicas de aumento 500.000x, aspirador de pó blacker und dacker e pelo envio de alguns parentes desencarnados para o Barangandão & outros demônios mais... Aos Expositores, às Bandas, aos Poetas e seus Intérpretes, à Fadinha Bailarina, aos amigos Letreiros e Desletreiros, aos Papais e Mamães, aos Garçons, aos Fornecedores, aos Cultivadores de limão e cana, aos Passarinhos semeadores e ao Bar TriBos pela sua nova aquisição do espaço-LoVe-lounge, de onde saíram muitos fluidos de Paz & Amor LIVRE.
Até o próximo BARANGANSTOCK!
Encaretidamente, mas de graça:.
O Barangandão..
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
LIBERTARTE & outros demônios mais...

Escreveis para saraubarangandao@gmail.com com tal intuito, ou deixeis a louca e súbita inspiração para a hora. A arte não tem burocracia, nem ordem necessariamente. O contato anterior é somente para que a notícia possa correr mais rápido que o vento... que uiva, uiva...
O Barangandão.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
SARAU BARANGANDÃO : LIBERTARTE
Foi no dia 04 de julho, foi sim, nos lembramos bem, ou não – a festa julina psicodélica – das paredes do bar se transformando numa grande tela onde todos eram criaturas vivas e criadores da arte que faziam.
Engolidos pelas paredes coloridas!
Ficamos pastosos, oleosos; ficamos grafitados! Gauche!
Primeiro... Ali... Aleatório... Como no último - por alguns motivos que não vamos repetir aqui, porque quem viu, viu, quem não viu creu bereréu uéoéoéoéoéo – não pudemos provar a existência das exposições artísticas, primaremos por homenagear os artistas que ali exibiram os seus paridos trabalhos.
Por Daya Gibeli, floratomo Barangandensa, fotos e textos viscerais, uterinos, barangandinos, em sua fabulosa exposição “Cinemascope Brilhante” composta de dez achados da substância vida, no brilho em película de capturar o infinito.
Agora, dos pincéis de Martina Carvalho, reverberando a simbiose homem-natureza, as pictorias expostas proporcionaram aos amigos uma sensação de libertação que transbordou e logo manchou as outras paredes do evento.
E a produção fluiu até nunca mais e da história nasceram os personagens...

Diretamente entre as paredes encantadas, “Big Dog & Banda Facksom” abriram com um som tranqüilo para juntar todo o mundo na roda de uma miscelandia musical. Os caras mostraram para o que vieram. Mario no violão vociferante, Jaime na percussão, e eletrizando na guitarra e back Robson, acompanhados pelo baixo e pandeiro dos Barangandoviskys Victor e Fabio.
Enquanto isso os Barangandontes curtiam maximametente as consonâncias da Facksom ”cachorro grande”...
O Astronauta do Universo nos visitou com suas bonecas coloridas, panéticas e perfumadas... Ô, mãe prendada!
A abertura começou iniciada com a alegria gerada pela banda dos cachorrões e logo depoizinho com a Baranganvó Thati, para variar, contando a mutável estória do brinquedo gira-roda-gira BARANGANDÃO.
OI GIRANDO OI GIRANDO REMEXENDO MUITO... Thati lançou o desafio para quem quisesse agarrar o laço. Quem vem? Quem vai? Tem coragem? Vamos rodar o BARANGANDÃO!
Com força de mulher criada por lobos, a Martina subiu decidida no palco para contar a Estória de Dom Carlos, uma saga do céu marítimo, em que a estrela-sideral transmuta-se em estrela-do-mar eternamente caçada pelo caçador peixinho...
Diretamente da ERA do Renascimento, oriundo do acasalamento dentre “Os Ninguém” e o membro do GIRA GIRA GIROU BARANGANDOSO Fábio Bastos, inebriando o público lânguido com a flauta mágica e seu bate-tambor. Encarnação do ninguém atacou na percussa, enquanto Wesley plimplimplirizou as cordas de aço do violão medieval. p.s. Canções, violão e instrumentos de lutieria própria.

Encarnação disse: “A Arte não se faz nas grandes mídias, a Arte se faz aqui e nos porões do mundo!”
Para participar dessa Idade Medieval orgiástica, Bastos soltou a voz aos tempos e ventos, a Barangandeusa Daya tamborilava suas poções mágicas de receitas ancestrais, a Barangandiva Irene irradiava raios incandescentes de “O Dia”, de autoria própria, e o Barangansérgico Victor transformava, com o seu baixo, as notas em cores sinestésicas.
A Thati blue disse: “De um amor infrenqüentável nasce um blues sem melodia”.
Inspirados os pirados expectantantes uniram-se para contarem causos, após o equívoco espectral que aconteceu na inóspita “terra do sono” revelado pela Barangaghost Thati, acompanhada pelo violão do cético Ricardo Werneck e seu nariz de dúvida.
Pedro H. Nunes subiu ao palco para contextualizar o espaço reluzente de uma metafísica do nada, com o Baranganteso Victor no baixo e com Martina shiatsando nos “paus de chuva”.
Wesley Brito, com seu semblante compenetrado, saltou do palco carregado de poesia e a esparramou entre o público como fingidor de Pessoa.
Num dialogo descontraído, Miguel e Wilson Moreno, deram continuidade ao samba-soul bem com Jorges e boas com Chicos.
Pablo e o tam-tanzeiro abaixo persuadindo na percussão.
Num novo desafio lançado, agora com prêmio gelado ao mérito, Garrido foi incentivado a não se calar. Subiu ao palco para protestar contra os alunos que não vão barbarizar o Pará no ENEL (Encontro Nacional de Estudantes de Letras). E para amenizar o clima, Garrido autor intercedeu poeticamente após o protesto. Haja palavra, hein, camarada!
Mais uma vez com estimado cult-rock, os Baranganmusos Daya e Victor, convidaram a se manifestar baixisticamente o Pablo, e de suas composições próprias, na magia de notas flutuantes, o Barangampúblico se deixou embalar.
Numa áurea de poesia pungente, os versos ganharam mais formas do que bocas e ouvidos, harmoniosos com os experimentos musicais de Martina, Pablo e Pablo, e assim alcançaram toda a fisiologia dos corpos com “As Bundas” de Victor Pessôa.
A Baranganfada Thati fez o chamamento místico “As Três luas” para dizer “Louco: tu és mais louco que o louco...”
E para manter o erotismo das confissões poetizadas, Victor, “num estupor de coma, na sensação narcótica do aroma”, recitou “O mito da Medusa” de Cruz e Souza para os enfeitiçados presentes.
Eis o Pablo do “Pablo e Pablo”.
Entorpecidos pelo momento apaixonante e inebriante das poesias em voga, detectamos nos bastidores barangandeu’love, o casal e o seu envelope 60’s...
Nossos primos distantes, do interior das minas do BARANGANDÃO, Irene “Ô iai” Dorte e Fabio “Ai, deu sardadi...” Bastos, junto com Ximbica, sua filhota, contaram as peripécias lá da fazenda, do meio do mato dentro.
Depois que os primu do interiô saíram – porque eles dormem cedo e acordam com o canto de Ximbica – Martina na voz, Pedro H. na pandeirola, Garrido no pandeiro e Wesley na antiga viola, soltaram as feras no ápice dos efeitos Barangantóxicos.
Embaixo da confraternização Barangandionisíaca, Rodrigo, Clovis e Victor, que já não conseguiam calar a voz, agarraram o microfone e puseram-se a poetizar. “Poetizem, crianças , poetizem!”
Banho de canção para o descarrego do mal-olhado; através de uma visão magneticamente do ponto de vista etílico, Barangancidas Daya e Thati improvisaram Mutantes com os meninos Ricardo e Victor. “Ué, cadê a Thati???” Daya continua a mutantear com os mutantes.
“Vai, Rodrigo, solta a voz, canta o frevo de maínha!”
Em noite de lua nova, a Baranganlina Thati clamou felinamente o “Gatinho da madrugada” ao som de ainda Ricardo e Victor penumbrosos...
Surpreendentemente perdidos na noite, surgiram das sombras Bruno, no violão, e Urrul, no vocal, levando ala pra lá com rocks’pops para os divertendos da festa. No meio do pula-pula estava Garrido, Louise, Victor também soltando o que há de direito.
Por motivos de forças etílicas e ondílicas, os Barangandílicos não registraram fotograficamente o vocalista Urrul. Porque nosso GPS encontrava-se com problemas técnicos, não nos oferecendo nem a latitude, nem a longitude do paradeiro de Urrul no nosso grandioso palco. Em vista disso, disponibilizamos a legenda de Urrul e sua respectiva seta verde-limão.
Como informamos acima, nosso GPS desfocado foi incapaz de nos fazer distinguir o palco da platéia, e logo assim, estavam todos embolados num espaço palco.
O E.T. continua a manter contatos extra-sensoriais com os nossos satélites e câmeras barangandiadas, mas o Odilon...
Onde está o Odilon?
Por motivos de chuva de sapos e canivetes, e falta de fiscalização dos brinquedos barangandões, no evento do dia 13 de junho, faríamos um sorteio para aquele que mais e melhor rodasse, girasse, remexesse, ondulasse o barangandão. Nosso exímio rodador não levou seu prêmio para casa e infelizmente, por vingança (grifo nosso), que é um prato que se come frio, o dito cujo não compareceu. Por isso nós repetimos assim de frente:
“Onde está o Odilon???”
Por essa e outras não registramos ninguém a rodar o barangandão e por mais que apelássemos: “Vamos rodar o barangandão!” só houve o silêncio e barangandões esquartejados. Nosso maior incentivador e colaborador do remexe-mexe do barangandão não estava lá.
Agradecimentos
Ao nosso maior incentivador e colaborador do remexe-mexe do barangandão, e o único que pacientemente ri das bobeiras aqui escritas e registradas para todo o sempre, Odilon!; ao Casal TriBos; às Barangandante Irene e Monique Feder (comissão de comunicação) por carregarem boca a boca pelos becos e breus do mundo o acontecimento acontecendo BARANGANDÃO; ao nosso relaxante vinho suave rubro do Primo Lanches Self-service; às bandas e bandos convidados ou não; aos revelados talentos pictorescos que preencheram nossas paredes do todo; ao dia 4 de julho por nos inspirar o LIBERTARTE (pela impreterível libertação da arte); ao copeiro por sua paciência de Jó, nos aturando até os por fins dos finalmentes.
Barangandemos!
Encaretidamente, mas de graça.
sábado, 28 de junho de 2008
LIBERTARTE: pela independência da fome dos artistas
sexta-feira, 27 de junho de 2008
SARAU BARANGANDÃO: SEXTA-FEIRA 13

Atenção, libertinos e viciados em arte! A noite de sexta-feira 13 de junho reuniu uma porção de artistas niteroienses, sedentos por expressão, num evento alternativo que extrapolava todas as linguagens, em volta do palco liberto a todas elas. Aconteceu em um bar, TriBos, com todo o tipo de figuras, onde conseguimos juntar música, poesia, fotografia, estórias, desenho e muita “cachaça” da boa. A birinight rolou até às quatro da madrugada, o povo já estava “mortinho” e ainda tinha gente querendo se apresentar.
Decorada com barangandões, pendendo do teto, suspensos e coloridos no imaginário das gentes, a noite já prometia quando os queridos da banda “Universo” entraram com a corda toda.
Astronauta com o seu sax “kinder”, a linda Martina nas cordas acústicas e Pablo com suas falanges de aço no baixo.
Apresentaram “A máfia da felicidade”, entre outras composições próprias levadas com muito swing fantástico, “eu acredito em fadas”... (frase de Peter Pan – estávamos ali encantadamente perdidos na Terra do Nunca.) Contagiados pela “máfia”, músicos afins se armaram de percussão para acompanhar o “Universo” e unir-se aos seus versos.
A mestre de cerimônia, a Barangandoa Thati Verthein, introduziu com chave mágica a história da criação do brinquedo Barangandão.

Os inspirados convidados se situaram e se entregaram à proposta do Barangandão. “Vamos rodar o Barangandão!” O nosso amigo viking Odin mostrou como é que se baranganda.
“Os Ninguém” disseram “Todos somos ninguéns”, e na seqüência, trouxeram uma áurea medieval para a noite de sexta-feira 13, na carona pelo encantamento das fadas. Com canções, violão e instrumentos de lutieria própria. “A gente é ninguém porque não está na Globo... É, ninguém é perfeito”.
“Ninguém violonista” Wesley Brito, “ninguém vocal” Hamilton Ribeiro na melodia acompanhavam “ ninguém percussionista” Antônio Encarnação, que naquela brisa de magia, declamava poesia e descia do palco no fulgor do momento, para recitar “Versos íntimos” de Augusto dos Anjos, com sua voz estridente e envolvente.

Irene Dorte, Irene Ri Dorte! Essa Barangandosa deu uma dose da verdadeira sexta-feira 13, dia de bruxa e loucura solitária da fragmentação do ser, com seus tubos mágicos, brilhantes e sua poesia hexadramática e imersa
Uma rebeldia impretérita perfeita...
Novamente estoriando... Dessa vez sobre uma certa Maria que estava encalhada na beira do altar de Santo Antônio casamenteiro – o coitado sobrecarregado deixou Maria na mão. Inebriada pelo ambiente sonoro de Ricardo Werneck, Verthein enovelou um dom brasileiro de “Tico-tico no fubá” a “uma força que nos alerta”...
Logo após, Werneck agrega consonânticos, o Barangandoso Fabio Bastos, Martina e Pablo, à sua estética de choro miúdo.
Os Barangandantes irmanados na filarmonia do seu “cult-rock”, Daya Gibeli e Victor Pessôa defloram suas propriedades musicais, num “Delírio náufrago” como “Uma história dissimulada” de um “Entreato” dizível.
O Amor elíptico subdito.
Reverberância conjugada de Pessôa e Martina, “Meu bem não vejo mal, meu mau veja bem”, com Bastos. Posto “Lado de cachorro magro” em órbita – poesias musicadas, músicas poetizadas: um não sei que de um quê sinestésico.
O casal poesia, Pedro H. Nunes e Louise Lemos, subiu ao palco para nos extenuar arrepios, com estampidos perdidos numa noite de sexta-feira 13. “Poema em linha reta” acabou com o silêncio da madrugada por H. enritmado pelo tam-tam de Martina; na voz-visão da diva Lemos, surge Álvaro de Campos. Heteronímica fusão de estados poéticos.
Para apavorar o beco, o projeto Edifício Lúcia da banda anônima conhecida, trouxe um rock n’ roll sem estribeiras e nem besteiras. Autoral, beatleso e zepellino. Com H., Léo, Cavalo e agregados magnetizados: B.A., Glauber e Astronauta com seu brinquedo “kinder”.
O público etílico não sabia nem por onde ia e vinha. Girava barangandosamente!
Puxando um samba de improviso, Wilson Moreno, bota o barangandão para rodar na ponta do pé. E na cadência do xicuntum e do peguexiquedégueti, acentuada por Werneck, Martina e Bastos, a festa foi até quase de manhã... “É de manhã, é de madrugada, é de manhã”...
E pedindo para ficar, Markito e seu comparsa B.A., cabeça-de-chave da noite, terminaram tocando até “Erguei as mãos”, numa mistura de gospel, samba, rock n’ roll e gêneros não identificáveis. Até que os raios solares precipitaram-se na praça da Cantareira. “Vamos barangandar até...”
Para finalizar solenemente, depois dos caminhos infinitazados, os passos dos Barangandengos se encontram em curvas paralelas no único lugar que ainda restava naquela sepulcral praça FECHADA... uéoéoéoéoéo. Câmeras satélites barangueadas captaram o fim do fim do fim...

Por motivos de forças etílicas e ondílicas, os Barangandílicos não registraram fotograficamente a exposição de desenhos de Fabio Bastos e Julia, as fotografias de Louise Lemos, as poesias de Thati Verthein e de Irene Dorte, e nem o trabalho fotopoético “Cinemascope Brilhante” de Daya Gibeli. Acontece... Acontece que aconteceu o acontecido acontecimento... uéoéoéoéoéo.
Agradecimentos
Renato (Bar TriBos), Pedro Paulo, GiZÉle Valle, aos artistas barangandensos convidados e intrometidos, aos amigos letreiros, históricos e blas afins, a todos os 6 bilhões de terráqueos, três mil alienígenas, meia dúzia de gatos derramados intra-terrenos, sem esquecer das amabilíssimas planárias submarinas que voaram e se multiplicaram em dois, relaxando o clima.
Encaretidamente, mas de graça.
O Barangandão.
HISTÓRIA DO BARANGANDÃO
Há muito tempo... Na época das avós de nossas avós, as mulheres reuniam-se na boca do rio. Elas sentavam-se em roda para contar estórias. As mais velhas contavam para as mais novas, as mais novas contavam para as mais velhas, e assim iam... até que o tempo se esvaísse numa imensidão de palavras coloridas. Mas, na roda, sempre havia aquela moça envergonhada, que não queria compartilhar suas estórias. Então, as mais experientes resolveram imaginar uma dinâmica de corpo e, para isso, inventaram um brinquedo que denominaram de BARANGANDÃO.
BARANGANDÃO, o brinquedo inventado, era usado para esquentar o corpo, para relaxar... Elas rodavam, rodavam, ondulavam as cinturas e libertavam suas palavras de calor. Surgiam estórias da vida, estórias do sonho, estórias do medo, palavras inventadas.
BARANGANDÃO tornou-se um instrumento crucial para realização do ritual de iniciação das mulheres, que antes, moças entorpecidas de palavras engravidadas de suas estórias, soltavam o corpo aquecido pela vontade, desejo, necessidade de fazer-se ouvir e compartilhar.
(Adaptação da lenda do brinquedo folclórico)





































































